Subnotas 27/02/26

Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política

Fev 27, 2026 - 10:36
Subnotas 27/02/26

DROGA
Como comentei na coluna passada, queria ficar aqui contando piadas. Eu juro que preferiria inventar blagues sobre, sei lá, a imbecilidade do Elon Musk. Porém, a trepidante realidade local impõe-se. 

"FIRST TIME?"  
A reação do prefeito Paulo Ney (PSD) à denúncia que pode levar à sua cassação lembra a do cowboy sem nome interpretado por James Franco em A Balada de Buster Scruggs, filme dos irmãos Coen. Na cena que virou meme, o cowboy, que havia escapado da forca já com a corda no pescoço, se vê de novo na mesma situação e pergunta, sorrindo, para outro condenado à morte que chorava: "Primeira vez?". 

ESCALDADO
Na primeira vez que foi ameaçado de cassação, logo no começo do mandato, Paulo Ney gravou um vídeo cuja primeira frase, em tom de indignação, era "Querem me cassar!". E seguia esbravejando contra seus opositores. Agora, o tom do vídeo em que reage à denúncia do vereador Tiago Mafra (PT) é galhofeiro, ainda que mais uma vez não economize duras palavras. 

SPOILER DA VIDA E DO FILME
Aposto que Ney consegue reverter a denúncia de Mafra na Câmara Municipal. Ele parece bem seguro a respeito e, claro, tem a caneta na mão. Daqui em diante, quem ainda não viu o filme dos Coen pule para a próxima notinha: de qualquer forma, é bom ficar ligeiro, pois o cowboy não teve uma segunda chance no patíbulo. 

DESNECESSÁRIO 
E tudo isso à toa. Bastava não nomear um desqualificado (para o cargo, segundo a lei; não sou eu que o estou dizendo) para o DME.

CAIU PRA CIMA
Se for cassado, seria muito doloroso para Paulo Ney. Afinal, Sérgio Azevedo (PL) virou aspone do Zema no sul de Minas Gerais para ciceronear vereador de São Paulo - repito: São Paulo - que é coleguinha de partido em visitinha à cidade. Ótimo trabalho, muito relevante, parabéns. E enquanto articula sua candidatura ao legislativo, Azevedo viu o judiciário confirmar que sua nomeação anterior era ilegal, mas não teve que devolver os salários ao erário, pois seria "enriquecimento ilícito" do município. Aos munícipes que empobreceram licitamente só resta o jus sperniandi.   
 
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com 

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