Ordem do Dia 28/10/25
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Ironicamente, as posturas bolsonaristas alimentam seus principais adversários. O governo federal comemora a escada fornecida por Eduardo "bananinha", que apostou na chantagem internacional, via tarifaço. Má ideia. O que permitiu a Lula ascender a níveis de popularidade consistentes.
O bolsonarismo realizou um trabalho notável contra si mesmo. Fruto de grotesca e reiterada incompreensão.
Colhem o que plantaram. Entretanto, o resultado deixa um vácuo: na ausência de alternativas políticas viáveis, ficamos nesse "sambinha de uma nota só". Só dá Lula.
Existe o Centrão, amorfo e fisiológico. Mas não há centro político articulado. Sumiu. A direita tradicional, por sua vez, outrora pragmática e racional, foi engolida pelos amalucados.
A falta de concorrência na arena política estreita horizontes. E nos deixa falando sozinhos. Eis mais uma tragédia causada pela polarização.
Tudo indica que a ameaça da extrema direita diminuiu. Embora recente pesquisa do Instituto Paraná diga o contrário. A disposição anti-Lula, e pró Bolsonaro, ultrapassaria 40% da população.
Apesar disso, tecnicamente o "capitão" está fora. Mas não haveria motivos para comemorar além disso. Provavelmente, está desmoralizada essa conduta extremista. Mas fica a pergunta: estaremos sujeitos, inapelavelmente, ao atraso ideológico petista?
Não temos projeto de país. A perspectiva bolsonarista era essencialmente golpista. O projeto petista é o velho aparelhamento do Estado, bem ao estilo stalinista.
Historicamente, nenhuma dessas duas alternativas mostrou-se viável no longo prazo. Terminaram em tragédia. Por qual razão insistir no que não deu certo?
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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