Ordem do Dia 27/03/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Nessa semana, duas diferentes pesquisas colocaram Aécio Neves em posições aparentemente contraditórias.
Na pesquisa DataTempo, Aécio aparece em segundo lugar, entre os pré-candidatos a governador de Minas. Com 19% das intenções de voto, Aécio estaria atrás de Cleitinho, que lidera com 25%.
Em terceiro vem Kalil, ex-prefeito de BH, com 13%. O atual governador, Simões, que era vice de Zema, somaria 3% das intenções de votos.
Em outra pesquisa, da AtlasIntel, Aécio vai mal. Avaliado individualmente, Aécio seria visto negativamente por 82% do eleitorado mineiro. Sendo aprovado por apenas 13% dos entrevistados.
Em segundo lugar, empatados na rejeição, estariam Lula e Bolsonaro, com 57% de menções negativas. De plano, é possível verificar que ambas as pesquisas são contraditórias entre si.
Apresentando números divergentes, fora da margem de erro: como um candidato que teria apenas 13% de aceitação, segundo a pesquisa Atlas, somaria 19% de intenções de voto, segundo o DataTempo, especialmente em disputa aberta com vários outros candidatos? Há evidente discrepância.
Quando este colunista cursava Mestrado em Ciência Política, pelo DCP/UFMG, no final dos anos 1980, as pesquisas eleitorais estavam iniciando sua escalada como ferramenta de campanha.
Aprendemos, então, que o principal dado, a ser monitorado, seria o indicativo de rejeição. Visto a maior volatilidade das intenções de voto, durante a campanha. Isso nunca esteve tão claro como agora.
No que tange à rejeição, uma série de sortilégios políticos, e estatísticos, demonstram que ela seria de dois tipos. Primeiro, do tipo difuso, que implica numa narrativa subjetiva.
E a do tipo objetivo, que se refere a casos concretos. Exemplo: Lula e Bolsonaro experimentaram condenações criminais, daí, aparentemente, sua rejeição.
No caso de Aécio, ainda que seja grande e consistente a antipatia que lhe dedica o eleitorado, nada desse tipo pode ser dito contra ele. Jamais sofreu uma única condenação criminal.
Todo seu problema, de rejeição, deriva de uma gravação ilegal e traiçoeira. Que, em si, não representa um delito cometido por Aécio, mas uma falseta contra a vítima, no caso, o próprio Aécio.
Talvez se trate da mais catastrófica gravação já realizada, no meio político brasileiro. Seria possível afirmar que essa traição, sob a forma de uma gravação, mudou a política nacional definitivamente.
Como reverter isso? Talvez seja mais um trabalho digno dos bruxos de Hogwarts.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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