Ordem do Dia 24/03/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

24 Mar, 2026 - 10:04
Ordem do Dia 24/03/26

Em 14 de março do corrente ano, a Ordem do Dia comentou uma determinada pesquisa, sobre o STF, colocando o órgão em situação delicada.

Objeto de um Editorial do Estadão, essa pesquisa informava que 70% da população brasileira nutria uma desconfiança genérica, em relação ao STF.

O Instituto Atlas publicou outra pesquisa, no dia 20, uma semana depois, "dando nome aos bois". Em se tratando do ministro Toffolli, pouco menos de 13% dos entrevistados confiariam no homem.

Uma parcela de 50% deseja sua imediata exclusão do Tribunal, através de impeachment. Outros 33% dizem o mesmo, mas preferem uma investigação preliminar, o que está em curso. E deve ser apimentada pela delação de Daniel Vorcaro.

Os números são devastadores: 83% dos entrevistados dedicam a Toffoli uma consistente rejeição. Seria uma suspicácia embalada por diferentes acusações, já há bastante tempo, inclusive sobre sua obsessão em devolver aos corruptos, confessos, o dinheiro confiscado pela Lava Jato.

Outros ministros do STF, em alguma medida, enfrentam acusações semelhantes e também forte suspeição. Mas Toffoli seria o recordista.

Internamente, a situação não seria melhor. Haja vista o afastamento atabalhoado desse ministro, da relatoria do caso Master.

Até uma gravação espúria dos ministros teria ocorrido, numa reunião secreta da Corte. A desconfiança instalou-se também entre os pares. 

O próximo da lista seria Xandão. Não haveria dúvidas quanto aos méritos do homem, o que não se vê em Toffoli. Mas claramente cometeu erros. Pagará por eles? E quanto a Toffoli? Resistirá a tamanha pressão?

Na Coluna do dia 14, comparamos a dissolução institucional do Império Soviético, em especial a crise de credibilidade e de legitimidade daquele sistema, à crise do mesmo tipo que vive o STF. Se tal contexto obliterou todo um Império, o que poderá causar ao STF?

Sérgio Moro, o líder da operação Lava Jato, poderia ser lembrado. Obteve destaque altamente positivo. Sua atuação promoveu efeitos em cerca de 10 diferentes países, inclusive nos EUA. Até que decidiu se imiscuir na politica, cometendo erros bisonhos.

Moro chegou a parecer um verdadeiro Moisés, liderando multidões, envergando um imaginário cajado mágico, símbolo de sua autoridade.

Hoje, transita apoiado numa reles bengala, igualmente imaginária, que escora eventuais deslizes em sua claudicante trajetória política.

Prestígio acaba, é esquecido ou desmoralizado. Pode-se preservar algum poder. Mas nunca será a mesma coisa. O tempo dirá.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com 

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