Ordem do Dia 19/03/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

19 Mar, 2026 - 09:13
Ordem do Dia 19/03/26

O ministro Fernando Haddad, em pronunciamento público, criticou as taxas de juros "reais" no Brasil. O detalhe da qualificação desses juros, como "reais", diz tudo.

Significa que uma parte substantiva, desses juros, se presta a mitigar um certo índice inflacionário, igualmente "real". E certamente "substancioso".  

Servindo para proteger investimentos e valores da deterioração monetária. Logo, a existência da inflação, e a expectiva de seu crescimento, existe e alimenta a taxa de juros a níveis indesejáveis.

Quem frequenta mercados, supermercados, bares, restaurantes ou o comércio, em geral, sente no bolso a corrosão do dinheiro. Eis o busílis.

Ao ser confrontado pelo fato da configuração da diretoria do Banco Central, e do COPOM (órgão que define a taxa de juros), ser de inteira responsabilidade do governo Lula, o homem travou. Haddad "embatumou" e disse que não queria "fulanizar" o debate.

Qual seja, não queria dar nome aos bois. Se não há disposição de responsabilizar os responsáveis, indagando das razões de sua conduta, por que apontar o problema?

Desse modo, a conduta do ministro indica uma mistificação ideológica: o problema existe e incomoda, mas não se pode falar nisso.

Por que? Simples: porque revela a maior deficiência financeira do governo, sua irresponsabilidade fiscal. Essa, que seria a principal indutora da inflação, segundo os cânones da macroeconomia.

Em 2025, esse governo pagou 1 trilhão em juros e acumulou a maior dívida de nossa história. Até a dívida externa, um problema aparentemente equacionado, voltou a incomodar. E o ministro da economia não quer "fulanizar" o debate.

Ele não quer é irritar o chefe Lula, desgastando ainda mais o homem, cuja rejeição só faz crescer. E se encontra bem mais alta que a taxa de juros.

Só falta dizerem que esse super endividamento foi obra do Espírito Santo, de algum ET ou da mula sem cabeça. Embora "mulas sem cabeça" possam ser vistas, com muita frequência, nesse governo.

O quadro político mostra que a gastança, o endividamento brutal e a irresponsabilidade fiscal não geraram a popularidade esperada por Lula.

A última pesquisa IPSOS aponta a rejeição do presidente 7% maior que a aprovação. Preocupante, visto que a vitória de Lula, sobre Bolsonaro, sequer chegou a 2% de diferença.

E mais: nenhum presidente, desde a redemocratização, foi reeleito, ou fez o sucessor, exibindo o atual desempenho de Lula, a 7 meses da eleição. O caixão está aberto. Virá a tampa?

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