Ordem do Dia 02/12/25
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A revista Cahiers du Cinéma, talvez a mais prestigiosa revista especializada na Sétima Arte, avaliou "O agente secreto".
Esse filme brasileiro, estrelado por Wagner Moura, estaria entre os 10 melhores de 2025. Mais precisamente em quarto lugar, numa lista mundial.
Imediatamente, nos vem à mente outro filme nacional: "Ainda estou aqui". Vencedor do Oscar. Podemos comparar? Sim e não.
Há semelhanças. O "Agente secreto" também trata do período da Ditadura pós-1964, mas a partir de outro enfoque e em outra fase.
Em consonância com a ideia de que a Ditadura pós-1964 teve várias faces. O enfoque seria o "do guarda da esquina".
Qual seja, numa ditadura o maior perigo vem do "guarda da esquina", com poder desmesurado, cotidianamente mais perigoso do que o próprio ditador.
Essa frase é atribuída ao ex vice-presidente Pedro Aleixo (um habilidoso político mineiro, o que está em falta). Por ocasião da edição do AI 5, Aleixo mostrou preocupação com os tiranetes, resultantes do regime autoritário. Um perigo constante.
O período retratado no filme, por sua vez, seria o da presidência de Ernesto Geisel. Considerado "um estadista" pelo celebrado cineasta Glauber Rocha.
De fato, Geisel enfrentou a "linha dura" militar, enquadrou os gorilas, promoveu a distensão e a anistia, acabou com o AI 5 e, por fim, realizou a redemocratização.
"O agente secreto", por outro lado, mostra outra face da ditadura: a participação de civis e empresários no arranjo de poder.
De resto, o que esta coluna sempre apontou: 1964 foi um movimento tentacular. Parte importante da sociedade civil embarcou na aventura. E se beneficiou dela. Estão falando em outro Oscar?
Esta coluna sempre defendeu o Oscar para "Ainda estou aqui", um filme de direção e produção impecáveis. Com atores muito talentosos. Que, merecidamente, recebeu o prêmio.
O mesmo entusiasmo não ocorre com o "O agente secreto". Ainda que a presença de um tubarão assassino, e de uma perna "cabeluda" infernal, o aproxime do realismo fantástico. Gabriel Garcia Marques, Murilo Rubião, ou mesmo Isabel Allende, que o digam.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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