Editorial 20/12/25

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

Dez 20, 2025 - 00:39
Dez 22, 2025 - 15:44
Editorial 20/12/25

O dilema político que o prefeito vai precisar enfrentar

A política de Poços de Caldas assiste a um movimento de bastidores que pode redefinir o futuro da administração municipal. 

A recente defesa pública feita pelo vereador e presidente da Câmara, Douglas Dofu (União), por uma ruptura do prefeito Paulo Ney (PSD) com o grupo do ex-prefeito Sérgio Azevedo (Novo), sinaliza o reconhecimento de que o capital político do atual alcaide corre o risco de ser drenado por uma herança administrativa que tem deixado o município com sérios problemas financeiros. 

A questão central é: até quando Paulo Ney sustentará o caos financeiro herdado sem expor a origem do problema? 

Manter a blindagem a Sérgio Azevedo sob o pretexto do governo de continuidade que o elegeu é uma estratégia que se torna cada vez mais cara. 

O silêncio, nesse caso, funciona como um endosso à desordem nas contas, e a conta, inevitavelmente, chegará para quem detém a caneta agora. 

No entanto, o rompimento é uma faca de dois gumes. A história local oferece um alerta pedagógico: o caso de Paulo César Silva, prefeito entre 2009 e 2012. 

Ao romper com a base que o sustentava, Paulo César Silva viu-se isolado, enfrentando uma oposição feroz que resultou no enfraquecimento de sua governabilidade e na impossibilidade de reeleição. 

Um rompimento mal calculado pode criar um novo - e poderoso - grupo de oposição, vindo de dentro das próprias fileiras aliadas. 

Pior ainda: colocaria o próprio Sérgio Azevedo como um eventual candidato em 2028 - isso se ele não for condenado antes por improbidade administrativa por conta de questões judiciais que enfrenta. 

O desafio de Paulo Ney é equilibrar a necessidade de construir uma identidade própria, o que ainda não foi alcançado, e garantir uma transparência administrativa de fato, com a manutenção de uma base mínima no Legislativo. 

Continuar sob a sombra de Sérgio pode significar o naufrágio da gestão em um mar de dívidas e crises políticas; romper pode significar o isolamento político. 

O prefeito está diante de uma encruzilhada: ou assume o protagonismo, mesmo que isso custe alianças antigas, ou corre o risco de ser o último a apagar a luz de um projeto político que já não se sustenta.

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow