Editorial 20/12/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O dilema político que o prefeito vai precisar enfrentar
A política de Poços de Caldas assiste a um movimento de bastidores que pode redefinir o futuro da administração municipal.
A recente defesa pública feita pelo vereador e presidente da Câmara, Douglas Dofu (União), por uma ruptura do prefeito Paulo Ney (PSD) com o grupo do ex-prefeito Sérgio Azevedo (Novo), sinaliza o reconhecimento de que o capital político do atual alcaide corre o risco de ser drenado por uma herança administrativa que tem deixado o município com sérios problemas financeiros.
A questão central é: até quando Paulo Ney sustentará o caos financeiro herdado sem expor a origem do problema?
Manter a blindagem a Sérgio Azevedo sob o pretexto do governo de continuidade que o elegeu é uma estratégia que se torna cada vez mais cara.
O silêncio, nesse caso, funciona como um endosso à desordem nas contas, e a conta, inevitavelmente, chegará para quem detém a caneta agora.
No entanto, o rompimento é uma faca de dois gumes. A história local oferece um alerta pedagógico: o caso de Paulo César Silva, prefeito entre 2009 e 2012.
Ao romper com a base que o sustentava, Paulo César Silva viu-se isolado, enfrentando uma oposição feroz que resultou no enfraquecimento de sua governabilidade e na impossibilidade de reeleição.
Um rompimento mal calculado pode criar um novo - e poderoso - grupo de oposição, vindo de dentro das próprias fileiras aliadas.
Pior ainda: colocaria o próprio Sérgio Azevedo como um eventual candidato em 2028 - isso se ele não for condenado antes por improbidade administrativa por conta de questões judiciais que enfrenta.
O desafio de Paulo Ney é equilibrar a necessidade de construir uma identidade própria, o que ainda não foi alcançado, e garantir uma transparência administrativa de fato, com a manutenção de uma base mínima no Legislativo.
Continuar sob a sombra de Sérgio pode significar o naufrágio da gestão em um mar de dívidas e crises políticas; romper pode significar o isolamento político.
O prefeito está diante de uma encruzilhada: ou assume o protagonismo, mesmo que isso custe alianças antigas, ou corre o risco de ser o último a apagar a luz de um projeto político que já não se sustenta.
Qual é a sua reação?


