Editorial 19/12/25

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19 Dez, 2025 - 18:23

Por que a pressa em aprovar projetos sobre terras raras?

A aprovação da Moção nº 98/2025 pela Câmara Municipal, na sessão extraordinária de terça-feira, 16, foi um movimento de responsabilidade e preocupação com o futuro de Poços de Caldas. 

Ao pedir pela suspensão imediata do licenciamento dos projetos minerários Caldeira e Colossus, para exploração de terras raras, o Legislativo local deu voz a uma preocupação técnica e social legítima que, agora, encontra eco contundente na mesma recomendação do Ministério Público Federal (MPF). 

A convergência entre a Câmara Municipal e o MPF é um sinal de alerta que o Governo de Minas e a FEAM não podem ignorar: neste momento, não há segurança para avançar. 

Estamos tratando de empreendimentos de nível 6, o grau máximo de potencial impacto ambiental. Ignorar lacunas críticas em estudos ambientais, incertezas sobre a segurança hídrica e os efeitos cumulativos da lixiviação é flertar com o irreversível. 

O Planalto de Poços de Caldas é um ecossistema sensível e estratégico; sua água e seu solo são patrimônios que não admitem decisões baseadas em pareceres preliminares. 

Como bem ressaltaram os vereadores Tiago Braz (Rede) e Tiago Mafra (PT) na Moção, o desenvolvimento econômico é bem-vindo, mas jamais pode atropelar a saúde pública e a segurança jurídica. 

Causa estranheza, contudo, o "malabarismo" retórico e a resistência de alguns vereadores que votaram contra a Moção na terça-feira. 

Por que a pressa em aprovar projetos que ainda não responderam a questionamentos técnicos básicos? 

Ao rejeitarem um pedido de cautela administrativa, esses vereadores parecem ter escolhido um lado que não é o do cidadão. 

O que será que seus eleitores, especialmente aqueles que residem na Zona Sul, área diretamente impactada, pensam sobre suas posições? 

A outra pergunta que fica para os eleitores é: esses representantes estão, de fato, agindo em defesa da nossa região ou apenas servindo a interesses que ignoram os riscos ambientais? 

A política deve servir ao interesse público, e o interesse público, neste momento, exige respostas claras e estudos embasados, não decisões apressadas cujas respostas ainda são incertas. 

O tempo da mineração predatória e sem transparência deve ficar no passado. Poços de Caldas não precisa disto.

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