Editorial 16/12/25

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Dez 16, 2025 - 12:51
Editorial 16/12/25

Um grito de alerta e de socorro pela saúde de Poços de Caldas

O protesto chocante ocorrido na tarde de ontem, 15, em frente à Câmara Municipal, é o mais grave e visceral sintoma de que a crise da saúde em Poços de Caldas atingiu um ponto de colapso. 

Agora, não estamos mais falando de uma reclamação isolada ou de um post que viraliza em rede social. O ato desesperado de um cidadão, que lançou artefatos não letais na calçada do Legislativo após uma busca infrutífera por ajuda para o pai idoso e debilitado, é um grito de alerta que não pode ser ignorado. 

O homem, visivelmente alterado e em prantos, não buscava vandalismo ou ferir ninguém. Ele personificava a angústia de muitos pacientes diante da burocracia insensível e da demora que condena à fila da espera quem precisa de socorro imediato. 

A indignação é justa: como um idoso de 71 anos, há 11 meses aguardando uma internação que deveria ser prioridade, é jogado de um lado para o outro, sem que ninguém possa dar um encaminhamento concreto à sua situação? 

O incidente se soma aos protestos recentes de médicos por salários atrasados. 

A escalada é evidente: a atual administração convive com dificuldade em quitar compromissos com prestadores de serviço na rede municipal de saúde, enfrenta uma disputa judicial com a antiga conveniada (Santa Casa de Salto de Pirapora) por conta de divergência de pagamento de valores e se vê em vias de encerrar o convênio atual, com a Santa Casa de Poços de Caldas, para embarcar em mais um convênio, sem que o município tenha conseguido formatar um modelo de gestão que consiga atender a população de forma eficaz. 

O protesto por conta da demora de 11 meses na fila de espera por atendimento abre um precedente perigoso no município. 

Se a situação não for resolvida com a urgência e seriedade que o caso exige, outros cidadãos, levados ao limite do desespero, poderão seguir o mesmo caminho. 

O Poder Público - Executivo e Legislativo - precisa urgentemente encarar a realidade: a saúde pública de Poços está em risco, e o custo dessa inércia é a dignidade e, em última instância, a vida das pessoas. 

É hora de ação imediata e não de promessas vazias. Que o recesso de fim de ano não deixe que as soluções fiquem para depois.

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