Maria Helena Braga celebra 80 anos com legado marcado pelo ensino
Em entrevista ao programa Alta Definição, professora relembra desafios na educação e superação pessoal
Poços de Caldas (MG) - A trajetória da educação em Poços de Caldas confunde-se, em diversos momentos, com a biografia de Maria Helena Braga.
Aos 80 anos, a professora e ex-secretária municipal de Educação detalhou, em entrevista ao jornalista Rodrigo Costa na noite de quarta-feira, 18, ao programa Alta Definição, da TV Plan, os bastidores de decisões que moldaram o cenário acadêmico local, como a instalação do campus local da PUC Minas e do Instituto Federal (IF Sul de Minas).
Quem é quem
Nascida em um distrito de Muriaé (MG), Maria Helena iniciou a carreira precocemente, aos 16 anos, lecionando para funcionárias do internato onde estudava.
Em 1972, fixou residência em Poços de Caldas ao lado do marido, José de Castro Araújo. O início, contudo, foi marcado pelo conservadorismo da época: o casal enfrentou resistência social pelo fato de Araújo ser desquitado.
A barreira foi rompida pelo Monsenhor Trajano Barroca, que priorizou a competência técnica da educadora e abriu as portas do Colégio Pio XII, onde ela atuaria por 40 anos.
Política e a expansão universitária
A atuação de Maria Helena na gestão pública atravessou diferentes gestões, tendo servido como secretária nas administrações de prefeitos como Luiz Antônio Batista, Paulo César Silva e Sérgio Azevedo. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu entre 1993 e 1996, durante as negociações para a vinda da PUC para o município.
"Enfrentamos muitas vaias e críticas de alunos e professores na época. No dia do anúncio, entramos no salão sob um protesto imenso, mas estávamos convictos do bem para a cidade", relembrou a educadora.
A articulação envolveu diversas viagens a Belo Horizonte para tratativas com Dom Serafim Fernandes de Araújo.
Hoje, a presença de cursos como Medicina e Odontologia é citada por ela como uma das maiores conquistas de sua gestão.
Posteriormente, no governo de Paulo Tadeu, Maria Helena participou da implementação do Instituto Federal e de projetos pioneiros de educação inclusiva, que renderam premiações nacionais ao município.
Cultura e superação pessoal
Além das salas de aula e gabinetes, a professora teve papel decisivo na preservação histórica da cidade ao capitanear a transferência do Museu Histórico e Geográfico para o prédio da antiga Escola Estadual Virgínia da Gama Salgado, retirando o acervo de uma estrutura reduzida no Country Club e dando-lhe sede própria. No âmbito pessoal, a trajetória foi marcada pela resiliência.
Em 2008, diagnosticada com câncer de intestino, Maria Helena optou por não se afastar das funções públicas, realizando o tratamento quimioterápico enquanto despachava na Secretaria de Educação. Devota de Frei Galvão, ela atribui a cura à fé e ao desejo de permanecer próxima à família, instituição que classifica como a base de qualquer processo educativo.
Papel do educador
Com um histórico de mais de 5.000 alunos - incluindo personalidades como a artista Nany People - Maria Helena Braga resume a missão do professor em três pilares: o gosto genuíno por pessoas, o respeito ao compromisso de formar cidadãos e a atualização constante.
"Se o aluno não aprende, o professor deve buscar um novo jeito de ensinar", afirma. Ao olhar para as oito décadas de vida, a professora define sua relação com o município de forma direta: "Poços me deu tudo, e eu devolvi com trabalho".
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