Entre matos e buracos

O jornalista Wiliam de Oliveira comenta sobre os buracos na cidade

O jornalista Wiliam de Oliveira escreve crônica repleta de humor e ironia sobre uma das grandes reclamações da população local: mato e buraco nas vias e logradouros públicos.

Existem problemas em Buracos de Caldas, quer dizer Matos de Caldas, ops, Poços de Caldas que vão e vem, ou vão e voltam, ou versa e vice. Um deles: buracos. O outro: mato. A partir desta constatação, vou sugerir a prefeitura que se crie uma nova pasta: a Secretaria de Mato e Buracos.

Dirão que já existe uma pasta responsável por isto, a de Serviços Públicos, que conforme o site da prefeitura, “cabe os assuntos referentes à limpeza pública, parques e jardins, funerária, cemitério, fiscalização de posturas e dos serviços públicos concedidos ou permitidos”. Penso que é muito serviço público para uma única pasta e também não combina muito, e pode até confundir, abrir valas no cemitério e ter que fechar buracos nas ruas.

O certo é que não conseguimos (e faz tempo) dar conta de tapar os centenas, milhares, milhões (?) de buracos existentes no município. O assunto é motivo de piadas, principalmente em rodinhas de amigos jogando buraco (hein?). A gente brinca, mas o tema é tão sério que tem muita gente entrando literalmente em depressão. E não é somente nas ruas ou nas rodovias de entradas/saídas da cidade. Os buracos agora resolveram também ocupar os passeios da área central e até a “buracovia” de quem busca caminhar ou correr pela Avenida João Pinheiro.

Muitos atletas estão correndo na ciclo-via, cujo piso está melhor, e outros propondo um campeonato de bicicross na pista de caminhada. Outra ideia é ter, a exemplo dos atuais fiscais de trânsito, os “guarda matos e buracos”, funcionários responsáveis por não deixar o mato crescer e o buraco aparecer. Apareceu um buraco? Multa. Cresceu o mato? Multa.  No caso dos matagais a situação é tão grave que tem gente que acha que a cidade pertence ao estado do Mato Grosso. Outros mais saudosistas estão propondo a volta de um ex-secretário de serviços urbanos da década de 1990, o Toninho de Mattos, pra ver se a coisa melhora.

E daqui pra frente, em período de chuvas, até as águas de março, a coisa piora e muito. É o mato, é o buraco, até o fim do caminho, é um resto de toco, é mais um buraquinho.  Pra finalizar, entre matos e buracos, tem muita gente que já se conformou. Afinal, como dizia a saudosa Dercy Gonçalves, “por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima”.

* Wiliam de Oliveira é jornalista e professor universitário