Sem o Censo, vacinômetro mostra a realidade da população idosa

Cerca 35 milhões de idosos no Brasil não sabem a força que eles têm. E o pior de tudo é que os políticos não conseguem os enxergar, quanto mais pensar em políticas públicas para esse público. Parece até mesmo que os idosos são uma parcela invisível da nossa população. É lamentável.

Como sabemos, o último Censo demográfico feito pelo IBGE foi em 2010. Estava previsto para o ano passado a realização de mais um Censo, mas ele acabou não acontecendo não apenas por conta da pandemia, mas também por cortes promovidos pelo governo federal.

É um imbróglio ainda não resolvido totalmente, apesar do STF ter determinado que ele seja realizado em 2022.

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Na falta do Censo, o Vacinômetro pode servir pelo menos neste momento como um instrumento para atualizar a população dos munípios e nos trazer um panorama mais real sobre a situação.

Aqui em Poços de Caldas, por exemplo, considerando as primeiras doses aplicadas, nas mais diversas faixas etárias, temos 730 pessoas com mais de 90 anos vacinadas, 3.590 pessoas entre 80 e 89 vacinadas, 9.215 pessoas entre 70 e 79 anos vacinadas e 16.889 pessoas entre 60 e 69 anos imunizadas. Com isso, são 30.460 pessoas.

Com esses dados, podemos afirmar que a nossa cidade tem cerca de 30,5 mil idosos, o que corresponde à 18% da população municipal.

Este percentual de idosos, certamente, é um dos mais altos do país. Só para se ter uma ideia da representatividade destes números, basta pensarmos que Poços de Caldas tem uma população idosa correspondente ao dobro do população da maioria dos 853 municípios mineiros.

Portanto, os nossos gestores, em todos os âmbitos de poder, não podem mais simplesmente ignorar a importância e o tamanho desta população, que requer cuidados e atenção especiais na saúde, na assistência social e na qualidade de vida.

* Paulo Danilo Vieira tem 69 anos, é agente municipal de saúde e ex-presidente do Conselho Municipal do Idoso de Poços de Caldas