Subnotas 24/07/26
Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política
CALMARIA
A semana passada foi movimentada em Poços de Caldas. Foram tantos assuntos relevantes que não consegui aprofundar-me em nenhum e nem fazer nenhuma paródia, como estava fazendo nas semanas anteriores. Já essa semana foi meio que calma, ao menos na minha percepção/bolha.
GERAÇÃO X, Z, MILLENIALS
Aproveitando a situação, usarei este espaço para uma análise antropológica usando como recorte a única coisa que realmente interessa nessa vida: a minha opinião, que é uma verdade absoluta e não uma subjetividade. É oficial: virei um velho ranheta. Eu posso até odiar a minha geração e mais ainda a anterior, pois são majoritariamente transfóbicas, homofóbicas, racistas e acham que hoje tudo é mimimi. Não é. Mas também descobri que odeio os jovens e as coitadices da moda, o que me transformou num completo misantropo. Bora lá para verdades incontestáveis.
GENTE CARENTE DO CACETE
Já faz um tempinho que ouço o termo "amizade de baixa manutenção". Seriam aquelas em que mal se vê os amigos, mas quando se encontram está tudo bem. Eu acho isso muito natural. Cresci nos anos 80, né? Não tinha internet, a conta de telefone ficava cara e não tinha saco pra escrever cartas, embora até o fizesse às vezes. Os amigos da escola geralmente eu via só na escola; nas férias encontrava os amigos de outras cidades que tinham familiares no meu bairro. Às vezes não os via por anos e quando encontrava de novo era uma festa. Agora há quem ache que isso é algo negativo. Como se não houvesse mais escuta ou consideração pelos outros. Até parece! Que papinho mais torto. E, pois é, tenho amigos ainda desses tempos aí e os reencontros são ocasiões felizes. A misantropia ali de cima é só uma piada.
PROIBIDO LER
Os índices de leitura no país são baixos. No ano passado, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, detectou que pela primeira vez, desde 2007, o número de leitores foi superado pelo contingente que não lê nenhum livro. Quando trata-se de literatura os índices despencam. E qual é a nova modinha dos bem pensantes das novas gerações nas redes sociais? Incentivar a leitura? Não! Condenar quem lê em público. Isso seria "leitura performática", tida como pejorativa; o certo é ler escondido em casa. Por que diabos existem há décadas livros de bolso? Para serem levados e lidos em qualquer lugar. Mas não os lerei mais na rua. Agora só lerei calhamaços em público. Terei algo mais volumoso para bater na cabeça oca de quem reclamar da performance da minha leitura.
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com
Qual é a sua reação??
Curtir
0
Não gostei
0
Amei
0
Engraçado
0
Uau
0
Triste
0
Bravo
0
