Subnotas 04/09/26
Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política
REVOLTA
Recebi um e-mail furibundo de um leitor indignado com a última notinha da minha coluna mais recente. Ele não se conforma que eu tenha proposto que houvesse feriados municipais 365 dias por ano. Ora, não reza a lenda que político só aparece de quatro em quatro anos? É para isso que serviria o ano bissexto para o trabalhador. Assim ele apareceria no serviço também apenas a cada quatro anos.
BRINCADEIRINHA
Obviamente a nota acima é apenas uma piada. Meus 17 leitores são pessoas cordatas e sofisticadas.
AGORA É SÉRIO
A maior ideia de jerico da administração Paulo Ney é a recém-anunciada privatização do Parque Municipal e do Country Club. Bem, a segunda maior, depois de permitir mineração a trezentos metros de casas da zona sul e isso ter repercutido tão mal que a mineradora teve que recuar, ao menos temporariamente. Espero que haja um recuo permanente em ambos os casos.
SUBTERFÚGIOS
A prefeitura dirá, como de costume, que não é privatização, mas sim concessão ou PPP. Nhénhénhé e mimimi. É sempre o mesmo papo furado tecnocrata, o mesmo lero-lero cínico. Serão espaços públicos que serão entregues à iniciativa privada.
RETROCESSO
Eu não vou nem falar nada do Country Club. Digamos que o lugar tem mais ou menos uma configuração que se permita considerar num troço desses, mas o caso de querer privatizar um parque me enoja. Se não me falha a memória, pois eu era criança quando aconteceu, meu pai contou-me que o Parque Municipal era um campo de golfe e foi na gestão de José Aurélio Vilela que o local foi aberto à população. Foi uma ideia excepcional, ali vivi alguns dos melhores dias da minha infância e adolescência.
SINAL DOS TEMPOS
Na era da redemocratização uma enorme área privada de um esporte elitista tornou-se uma área pública de convivência, já nessa era de reacionarismo pastoso essa mesma área tornada pública volta à iniciativa privada. Vai ver acham que socialização é coisa de socialista.
NÃO VAI DAR CERTO
Vaticino sem medo: vai dar merda. Quer dizer, vai dar certíssimo, mas para alguns bolsos e, sei lá, a esposa de alguém pode ser contratada pela empresa que ganhar a privatização e está tudo certo. Para a choldra, restará chafurdar na mesma lama em que os frequentadores do Ibira-puera, em São Paulo, estão atolados. A entrega “bem-intencionada” para a iniciativa privada significou espaços que tiveram a entrada restrita a quem pagar, o encarecimento da alimentação ao redor, cobrança abusivas de taxas também abusivas e outras aleivosias. O Ministério Público abriu um inquérito, mas o estrago já estava feito.
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com
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