Projeto de equoterapia da PM demanda ampliação de recursos

Dobrar o número de atendimentos e de profissionais contratados é o objetivo dos responsáveis pelo projeto de equoterapia voltado para pessoas com deficiência, desenvolvido pelo Cecart, o Centro de Equoterapia do Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), que funciona no bairro Prado, região Oeste de Belo Horizonte.

O centro atende por mês a 150 pacientes, mas a excelência do serviço e a falta de oferta gratuita em outros locais torna a demanda muito grande e faz com que as 561 pessoas que aguardam inscrição esperem por até cinco anos.

O projeto foi debatido nesta quarta-feira (6/11/19) em audiência pública conjunta das Comissões de Saúde, Segurança Pública e Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião foi realizada a requerimento do deputado João Leite (PSDB).

Uma das alternativas propostas na audiência foi a destinação de emendas parlamentares de bancadas, conforme defendido pelo presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Sargento Rodrigues (PTB), e pelo vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Duarte Bechir (PSD).

Ambos se comprometeram, de imediato, com o aporte de R$ 100 mil reais para melhorar o atendimento e dotar o projeto de infraestrutura adequada.

O autor do requerimento também concorda com a proposta, mas entende que mais importante seria a ampliação permanente de recursos, por parte do Executivo, já que as emendas parlamentares são uma iniciativa de caráter temporário.

Outra proposta bem recebida por todos foi a de solicitar a ampliação do número de profissionais à Fhemig, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, entidade com a qual o Cecart mantém parceria. Requerimento nesse sentido foi formulado pelo deputado Duarte Bechir.

O presidente da Comissão de Saúde, deputado Carlos Pimenta (PDT), também enalteceu o projeto do Regimento de Cavalaria da PM e lembrou que já existe uma escola pública na Serra do Cipó que oferece esse tipo de serviço, com resultados expressivos.

Equoterapia se enquadra no moderno conceito de saúde única

Médico veterinário, o deputado Coronel Henrique (PSL) observou que o tema da audiência é especialmente caro a ele, que trabalhou durante 23 anos no trato de cavalos, em instituições do Exército.

O parlamentar enfatizou que a equoterapia está vinculada ao moderno conceito de saúde única, que relaciona a saúde humana à saúde animal e ambiental, “num equilíbrio perfeito”. Ele também destacou o Projeto de Lei (PL) 817/19, de sua autoria, que dispõe sobre a prática de equoterapia no Estado.

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza cavalos dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais, permitindo que o paciente desenvolva novas habilidades, melhorando a sua qualidade de vida.

Comandante ressalta aspecto social e humano do projeto

Segundo o Comandante Geral da PMMG, Coronel Giovanne Gomes da Silva, o projeto desenvolvido pelo Cecart amplia as funções da PM, abrangendo aspectos sociais e de respeito aos direitos humanos.

O Centro de Equoterapia da PM de Minas foi criado em 1995 e é a única entidade filantrópica do gênero na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde mantém parcerias com a Fhemig e com a Associação Feminina de Assistência Social e Cultural (Afas), entidade presidida por Norma Teixeira de Souza Maia e Silva. Presente à reunião, ela disse que a entidade funciona como “um braço social da PM” e mantém, atualmente, em todo o Estado, 215 projetos sociais.

O promotor de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente Cível de Belo Horizonte, Celso Penna Fernandes Júnior, destacou que a Promotoria observou, nos últimos anos, aumento significativo de ações judiciais visando a que Estado e municípios arquem com as despesas de equoterapia para crianças e adolescentes.

Projeto já teve 13 profissionais e hoje conta com apenas cinco

Comandante do Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes, o coronel Maximiliano Augusto Xavier relata que o projeto de equoterapia já contou com 13 profissionais da área de saúde e hoje tem apenas cinco, além de um médico ortopedista.

O projeto é desenvolvido em um galpão coberto de 1,2 mil metros quadrados, onde os profissionais trabalham com o auxílio de seis cavalos. Além do aumento do número de profissionais, a equipe reivindica também a instalação de um novo galpão, a abertura de um turno à tarde e a aquisição de mais seis cavalos exclusivamente destinados à atividade, já que os animais do Regimento de Cavalaria são inapropriados, por serem muito grandes.

Na avaliação do Comandante Geral da PM, esse seria o cenário ideal, porque permitiria ampliar os atendimentos em até 600 por mês, zerando a fila de espera.

Desde a criação do Cecart, em 1995, o projeto atendeu mais de 1800 pessoas, em mais de 70 mil sessões, com a participação de policiais militares e profissionais civis, ligados às áreas de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, entre outras.

Entre os favorecidos está o praticante de equoterapia Denis Barbosa Cintra. Atingido por um tiro na cabeça, Denis é portador de tetraplegia. Por ocasião do episódio, foi praticamente desenganado, mas, com a ajuda da equoterapia, obteve grandes avanços. “Vistam essa camisa e abracem a causa. O resultado é garantido”, afirmou.

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