Poços de Caldas: o imperativo de um futuro planejado
Para Felipe Mesquita de Paula, urgência de um planejamento estratégico e de longo prazo é evidente
A cidade de Poços de Caldas, com sua beleza natural e potencial latente, encontra-se em um momento crucial que exige uma reflexão profunda sobre seu futuro.
A urgência de um planejamento estratégico e de longo prazo é evidente, especialmente quando observamos os desafios e as oportunidades que se apresentam.
Em 2016, tive a oportunidade de me aventurar como candidato a Vice-Prefeito em uma chapa liderada pela Dra. Regina Cioffi. Naquela ocasião, apresentávamos um plano de governo robusto e viável, focado no desenvolvimento sustentável da cidade.
Embora não tenhamos obtido êxito no pleito, a convicção de que a política é um instrumento de contribuição para a comunidade permaneceu inabalável.
Após a vitória do então Prefeito eleito Sérgio Azevedo, busquei, com o mesmo espírito público, apresentar-lhe uma proposta que acreditava ser transformadora.
Reuni-me com sua assessoria acompanhado dos gestores da Agência de Desenvolvimento de São João da Boa Vista.
O trabalho dessa agência, nacionalmente reconhecido, consistia em traçar um plano de desenvolvimento para os próximos 50 anos, abrangendo Plano Diretor, atração de empresas e o encontro da verdadeira vocação da cidade.
A intenção era replicar esse modelo de sucesso em Poços de Caldas, com um custo quase irrisório para os cofres públicos. Inicialmente, a proposta foi recebida com entusiasmo.
Contudo, após a posse e o desenrolar do governo, a visão de futuro e o planejamento estratégico foram, lamentavelmente, deixados de lado.
Os anos que se seguiram foram marcados por uma aparente falta de engajamento com o futuro, priorizando ações de curto prazo e o que muitos consideram “maquiagens urbanas” - praças bem cuidadas, meios-fios pintados e um marketing eficiente, mas sem projetos estruturantes de impacto direto na vida da população.
O slogan da gestão, “Quando o governo é bom o dinheiro aparece”, ecoa hoje com um tom irônico.
O cenário atual, sob a gestão do Prefeito Paulo Ney, herda uma situação financeira preocupante.
A dívida fundada da Prefeitura, que em 2016 era de aproximadamente R$ 90 milhões, saltou para mais de R$ 800 milhões em 2025.
Essa escalada é um reflexo direto da falta de planejamento e do não cumprimento de compromissos essenciais, comprometendo severamente a saúde financeira do município. Diante desse quadro, questiona-se a prioridade de certas obras.
A construção de um Centro Administrativo levanta o debate sobre se essa era a necessidade mais premente, em comparação com a melhoria das escolas ou a finalização do Centro Oncológico (CETAS).
As obras do Hospital do Câncer, embora avançadas, ainda demandam recursos e atenção para se tornarem uma realidade plena para os pacientes da região.
Poços de Caldas é uma cidade rica e conta com o suporte do DME como fonte significativa de recursos.
No entanto, se a gestão municipal estivesse pautada em um planejamento sólido e em contas equilibradas, esse dinheiro poderia ser integralmente direcionado para investimentos de desenvolvimento real.
Uma cidade que não se baseia em dados e planejamento está fadada a colher as migalhas do desenvolvimento.
A história é implacável: enquanto vizinhos prosperam com visões de longo prazo, Po-ços parece aguardar um milagre.
É imperativo que a gestão atual priorize a escuta ativa da população e um plano diretor que realmente guie a cidade para um futuro próspero, longe das improvisações.
* Felipe Mesquita de Paula é jornalista
Qual é a sua reação??
Curtir
0
Não gostei
0
Amei
0
Engraçado
0
Uau
0
Triste
0
Bravo
0
