Oxigênio tem bom argumento, mas roteiro perde fôlego

Filme de ficção científica está em cartaz na Netflix

O filme Oxigênio estreiou na Netflix em maio de 2021 e apresenta um argumento interessante, apesar de não ser necessariamente uma novidade.

Mais recentemente, já se viu situação parecida em “Enterrado Vivo” (2010), com Ryan Reynolds acordando em um caixão debaixo da terra, lutando contra a falta de contato exterior e correndo contra o tempo pelo fato do oxigênio ir acabando dentro da sua clausura.

Logo de cara, já é possível perceber que a produção francesa é uma ficção científica que aposta no suspense psicológico, haja vista que a protagonista Elizabeth Hansen (Mélanie Laurent) surge dentro de uma futurística câmara de criogenia, em algum lugar não identificado, e que pelo avanço tecnológico do dispositivo, presume se tratar de algumas décadas a frente no futuro.

Na prática, quase todo o filme dirigido pelo diretor francês Alexandre Aja se passa dentro da câmara, o que ao longo da exibição da trama pode se tornar um pouco cansativo, haja vista que não são muitos os momentos de tensão.

Diante disto, o artifício do roteiro para levar o filme até o final é apostar em flashbacks que tentam dar pistas sobre quem é a protagonista e o que ela fazia antes de entrar na câmara.

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Mélanie Laurent protagoniza o filme Oxigênio, da Netflix

Alguns deles são interessantes por traçarem um paralelo com o momento vivido pelo mundo. Mas não dá para falar mais sobre a trama a partir disto para que spoilers não sejam revelados e estraguem o mistério que cerca o filme.

Com pouquíssimos personagens em cena, a personagem Elizabeth Hansen acaba tendo que dividir as cenas com o computador Milo (voz de Mathieu Amalric), uma inteligência artificial que depois da criação do Hal-9000 de “2001” (1968), virou figura carimbada em boa parte dos filmes de ficção científica.

A atuação de Mélanie Laurent como Elizabeth Hansen não compromete, mas pode-se dizer que tenha sido protocolar. A personagem se mostra mais histérica do que tensa e a ansiedade proporcionada pelo ambiente claustrofóbico da câmara criogênica poderia ter sido melhor explorada.

A questão da falta de memória da personagem, que é apresentada logo no primeiro ato, não é muito convicente pela pressa do roteiro em fazer com que ela recobre as lembranças, apesar da amnésia ser plenamente justificável. Não que isto fosse algo improvável de ocorrer, mas é que aconteceu muito rápido dentro do contexto do filme.

Após o segredo sobre a câmara criogênica ter sido revelado, que por sinal tem seus méritos criativos, apesar da situação em si já ter sido vista em outras produções do gênero, fica a sensação de que o filme poderia ter se encerrado por ali.

Talvez o roteiro tenha pecado neste ponto, ou seja, em apostar num plot twist que leva a um caminho bem previsível. De qualquer forma, vale como entretenimento para fãs de ficção científica.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é jornalista e diretor do Jornal da Cidade. E-mail: joaogabrielpcf@gmail.com