Ordem do Dia 27/08/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Um tema, ou conceito, que desapareceu de vista seria o tal "racismo estrutural", um fenômeno aparentemente brasileiro.
Seria porque seu suposto autor, ex-ministro de Lula III, foi demitido em razão de assédio sexual?
Se assim for, essa espécie de "contaminação" do conceito, por um evento desagradável, que nada tem a ver com sua natureza, apenas demonstra sua fragilidade. Ou disfuncionalidade.
Houve tempo em que parte da Academia rendia loas a Louis Althusser, o "pai" do estruturalismo analítico.
Com sua palavra de ordem relativa aos "aparelhos de Estado", instrumentalizados pela "classe dominante", para seu exercício do poder. Especialmente as instituições educacionais.
Este colunista, em sua juventude, frequentou aulas na pós-graduação da prestigiosa PUC-São Paulo (um mundo, então, de maravilhas...), numa disciplina ministrada pela mega celebridade internacional, o educador Paulo Freire. Falou-se, entre outras coisas, sobre isso.
Entre outros temas, cogitei até que ponto a ideia estruturalista se articulava à construção de Antônio Gramsci, relativa aos "intelectuais orgânicos". Não fui em frente.
Na época, estudante de graduação, nos anos 1980, aproveitava uma das muitas greves da UFMG para passear em São Paulo.
Acabei, na qualidade de "rato de academia", e fã da Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, Jardins), indo parar na PUC, assistindo aulas de Paulo Freire.
Impressionou-me o rigor analítico, a simplicidade e a seriedade do homem. Em seus indefectíveis "trajes safari". Quantos teria?
Certamente adequados para suas incansáveis expedições às "selvas da ignorância", mundo afora.
O fato seria um só: falta rigor analítico à esquerda festiva que forjou o tal "racismo estrutural". Não estudaram Althusser, Gramsci ou Freire, que bem dominavam o tema.
E tentaram fazer do racismo brasileiro, cruel e insidioso, que ultrapassa a questão racial, algo parecido com o Apartheid Sul-Africano.
Bastou um empurrãozinho besta para o conceito desaparecer. Mais uma alegoria ideológica que se foi... A lista é grande.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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