Ordem do Dia 22/09/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

22 Set 2026 - 07:41
Ordem do Dia 22/09/26

Curiosamente, a queixa seria comum. Ainda que possua nuances que a diferenciam: todos reclamam da ausência de "logica" em determinadas circunstâncias. Vejamos.

Três diferentes colunistas, tratando de diferentes assuntos, na mesma página da Folha, enveredam num caminho já trilhado por este que vos fala: o da incompreensão de determinado fenômeno.

Ruy Castro não entende por que seria taxado de comunista pelo bolsonarismo.

Já que nunca militou no Partido, não escreve sobre esse assunto, registra que o comunismo seria "out" há décadas e mais: Castro se declara fã de John Wayne, do marinheiro Popeye e de Doris Day (o que ocorre também a este colunista). Como poderia ser comunista, com essas credenciais?

Priscilla Bacalhau, por sua vez, não compreende o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, apesar de seu claro envolvimento no mega escândalo do Banco Master.

Além do que, dadas as incontestáveis evidências disponíveis, quem vota nesse homem concorda com o projeto antidemocrático ao qual se filia.

Finalmente, temos Hélio Schwartzman, jornalista e filósofo que desejou a morte de Jair Bolsonaro - e que por isso foi perseguido pelo "terrivelmente evangélico" André Mendonça, quando ministro de Bolsonaro.

Shwartzman declara seu inconformismo: a democracia seria surreal - e não se curvaria à logica.

Seria "bem fraquinha", no aspecto da escolha de seus candidatos. Nada parecida com os desideratos desenvolvidos na "República", de Platão.

O que se confirma com o crescimento da candidatura de Flavinho do papai. Um homem que trabalha contra a mesma democracia que o projetou, além de estar prenhe de diversos escândalos.

Afinal, o que seria Flávio, não fosse seu mandato? Também fritaria hambúrgueres?

Ora, ora. Que me perdoem os discordantes, mas essas não seriam características da democracia.

Mas da natureza humana, que tudo molda à sua imagem e semelhança.

Este colunista, quando cursou sua primeira graduação, foi monitor de Lógica do Pensamento Científico. Isso na gloriosa FAFICH-UFMG.

Procurei, nessa época, a "Lógica" por todo lugar, sem sucesso. Aprendi que essa disciplina seria sistêmica e que, em sua versão formal, compreenderia a música e a matemática.

Mas nunca explicou sistemas políticos em sua versão funcional, ou o comportamento humano em qualquer versão. Eis o busílis.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com 

 

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