Ordem do Dia 12/02/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A Ordem do Dia de ontem, honrosamente, foi publicada na edição digital do Jornal da Cidade ao lado de um artigo de autoria da professora Eva Alterman Blay, que abordou o feminicídio.
Esse tema foi tratado por este colunista mais de uma vez. Em extenso artigo, com pendores acadêmicos, abordamos a decadência da cultura árabe, como resultado de uma misoginia arraigada, persistente, histórica e, desta feita, realmente "estrutural".
No espaço desta coluna, o tema foi também explorado. Na última oportunidade, criticamos a peça Otelo, de Shakespeare, que apresenta, como tema central, o feminicídio de Desdêmona.
A crítica desta coluna foi incorporada pelo acervo do grupo de teatro e figura, entre outras, nos comentários oficiais sobre a temporada de teatro de 2026, da Capital dos mineiros.
Entretanto, data vênia, a abordagem da citada autora, embora correta, trata do tema no âmbito do feminismo versus patriarcado, reduzindo, desse modo, a discussão a uma dicotomia batida.
Não foi o feminismo que libertou a mulher ou derrotou o patriarcado. Foi a combativa mulher, profissional, mãe e cidadã, que fez isso, por seus próprios meios e modos.
Independente de qualquer movimento, em que pese a importância do "sufragismo" feminino, por exemplo.
O feminismo seria um movimento, acima de tudo político.
Não parece relevante, ou razoável, conceder a um movimento, qualquer que seja, os méritos da caminhada milenar da mulher na história.
O gigantismo feminino é, como diz a autora, a expressão de uma encruzilhada civilizatória. Que, no caso dos Árabes, tomou a direção errada. Levando-os da posição de povo com a cultura e ciência mais desenvolvidas, no seu auge, para tristes andarilhos da misoginia militante.
O feminicídio, no Brasil, sugere a mesma encruzilhada civilizatória. Que, se for conduzida para um certo caminho, poderá, no médio prazo, estabelecer novos padrões de convivência na sociedade. Ou consolidar o horror que muitos de nós vivenciam.
Por assim dizer: o respeito à mulher, e ao seu papel na sociedade brasileira, poderá nos exercitar na prática da tolerância e das amenidades no trato social. Poderíamos até trocar o lema "Ordem de Progresso" para "Calma e Elegância", por exemplo.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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