Nova animação de He-Man é mais adulta e sombria

Mestres do Universo – Salvando Etérnia, com direção do cineasta Kevin Smith, estreiou na Netflix no dia 23 de julho. A nova animação é baseada na clássica Mestres do Universo, desenho animado que fez grande sucesso nos anos 1980.

Quando foi anunciada pela Netflix, a produção despertou uma onda de nostalgia em quem assistia diariamente as aventuras dos Mestres do Universo em defesa de Etérnia.

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A atualização para os tempos atuais trouxe uma animação com uma pegada mais adulta e sombria, em comparação com a atração dos anos 1980. Há pouco espaço para alívios cômicos. Até mesmo o personagem Gorpo aparece mais melancólico do que engraçado, se encaixando bem no clima desenvolvido no decorrer dos capítulos.

Na trama, He-Man e Esqueleto protagonizam uma batalha mortal dentro do Castelo de Grayskull, onde ambos acabam desaparecendo e consequentemente, a magia que dá vida a Etérnia vai perdendo força gradualmente, o que gera impactos que podem acabar com o planeta e o Universo.

É sobre esse panorama que a história se desenrola, colocando a personagem Teela como a grande protagonista desta primeira temporada. Parte dos fãs se mostrou insatisfeita por He-Man aparecer como um mero coadjuvante.

Essa situação se assemelha ao ocorrido em Mad Max – Estrada da Fúria, quando a personagem Furiosa (Charlize Theron) teve mais espaço do que Mad Max (Tom Hardy), o que incomodou os fãs.

No entanto, a animação manteve basicamente todo o contexto da produção original quanto aos personagens e à mitologia de Etérnia.

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O ponto positivo é que na nova versão, observa-se que os personagens são construídos de uma forma mais consistente. Teela é a grande protagonista da primeira temporada, apresentando-se como uma mulher forte e determinada, que não está mais à sombra de He-Man ou do Princípe Adam.

O Príncipe Adam, inclusive, foi o personagem que mais mudou entre as duas versões. Agora, ele aparece mais frágil, tanto fisicamente quanto psicologicamente, monstrando-se hesitante e inseguro, ao contrário do seu alter ego He-Man, o que soa muito mais convincente.

Mestres do Universo – Salvando Etérnia mostra também que os dois lados do conflito não se resumem apenas a He-Man e Esqueleto liderando seus respectivos grupos de aliados.

Heróis e vilões ganham mais personalidade e conseguem desenvolver divergências interessantes em seus grupos. Entre os heróis, Teela decide abrir mão de um alto posto militar ao descobrir que foi a última a saber que o Príncipe Adam se transforma em He-Man, o que a faz seguir um novo caminho, fundamental para o decorrer da trama.

Entre os vilões, Tri-Klops deixa de ser apenas um lacaio de Esqueleto para se tornar um líder messiânico que aproveita a lacuna de poder do lado do mal para impor a combinação de religião e tecnologia em detrimento da magia. Sem dúvida, apesar das poucas cenas, é o mais interessante personagem do time da Montanha da Serpente.

Com base nos acontecimentos da primeira temporada, é certo que a Netflix irá desenvolver pelo menos mais uma temporada de Mestres do Universo – Salvando Etérnia, quando, provavelmente, He-Man irá de fato assumir o protagonismo aguardado pelos fãs.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é jornalista e diretor do Jornal da Cidade. E-mail: joaogabrielpcf@gmail.com