Governo técnico fora do ar

continua depois da publicidade

Desde 25 de outubro, quando emitiu nota em seu site oficial sobre o suposto hackeamento de seus sistemas, a Prefeitura Municipal de Poços de Caldas enfrenta um verdadeiro apagão. Os sistemas operacionais das Secretarias Municipais não funcionam.

Escolas, CEIs, PSFs, CRAS, sistemas de marcação da saúde, compras, controle interno, almoxarifado, enfim, todos inoperantes quando demandam o sistema informatizado.

Passado um mês, nada efetivo se viu e grande parte dos mais de 6500 servidores públicos municipais que dependem de sistemas informatizados se vêem obrigados a trabalhar sem acesso aos dados que orientam suas funções, “no escuro”.

Como pode uma prefeitura do porte de Poços de Caldas, num município de mais 160 mil habitantes, com um orçamento em torno de 1,5 bilhão de reais, não conseguir, após 30 dias de apagão, restabelecer seus sistemas operacionais e serviços dependentes de informatização?

O que se viu no site oficial foi uma nota da Prefeitura, informando sobre as ações de responsabilidade da empresa pres-tadora de serviços nas “medidas cabíveis para a solução da questão”.

Há ainda, um posicionamento sobre registro de boletim de ocorrência por parte da Prefeitura frente aos fatos e nada referente a datas de retomada de serviços que dependem de tais sistemas, até agora, inoperantes.

A Câmara Municipal pouco se pronunciou, com ações e questionamentos isolados e pontuais de poucos vereadores, enquanto o discurso de “Poços voltando a ser Poços” segue firme pelas bocas e meios de comunicação dos marqueteiros da gestão técnica.

O governo PSDB/União Brasil não sabe e não dá satisfação sobre onde foi parar o conjunto de dados operacio-nais de sua prefeitura.

continua depois da publicidade

Em 27 de outubro, o blog do Polli noticiou que “a empresa Sonner recorreu ao Ministério Público para denunciar uma possível quebra de contrato com a prefeitura de Poços pelo fato de o sistema de informática da secretaria de saúde estar a cargo da Santa Casa de Salto de Pirapora”.

Tal contrato compreende a gestão da saúde e pode chegar a 64 milhões de reais. A Sonner é a responsável pela prestação de serviços de informática e controle de dados da Prefeitura de Poços de Caldas e compre-ende que o contrato que detém foi quebrado pela transferência de funções à terceiros.

Vale lembrar, ainda, que a San-ta Casa de Salto de Pirapora-SP está sob intervenção por não responder a questionamento da prefeitura daquele município e nem do Ministério Público, em ítens relacionados a ausência de médicos e profissionais, má gestão e risco de paralisação de serviços. No âmbito da saúde, estamos vinculados a uma entidade sob intervenção.

No âmbito do controle de dados, semanas de apagão, sem acesso a diversas informações de ope-racionalização de serviços, transparência pública e sem um posicionamento quanto à normalização dos sistemas. Enquanto isso, silêncio dos órgãos de fiscalização. Poços sendo Poços: de poucos, para poucos, elitista e complacente com os erros dos de cima.

* Tiago Mafra é professor de Geografia da rede pú-blica municipal de ensino e no pré-ves-tibular comunitário Educafro desde 2009, brigadista de Solidarieda-de a Cuba (2011), especialista em Filosofia (2011) e em Políticas Públicas para Igualdade (2018), mestre em Educação (2019), doutorando em Educação e Secretário Geral do PT de Poços de Caldas. E-mail: tiago.fidel@yahoo.com.br