Editorial 26/08/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
As limitações da telemedicina na rede municipal de saúde
O requerimento nº 2701/2026, apresentado na Câmara Municipal pelo vereador Álvaro Cagnani (PSDB), questionou o Poder Executivo sobre a aplicação de consultas médicas a distância na rede pública municipal.
A resposta oficial da Secretaria Municipal de Saúde indicou que Poços de Caldas não realiza consultas diretas entre pacientes e médicos especialistas por meio da internet na Atenção Primária à Saúde.
O município restringe o uso de tecnologias de comunicação ao modelo de teleconsultoria e ao teleatendimento.
A teleconsultoria opera por meio de uma plataforma mantida pelo Governo do Estado de Minas Gerais em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais.
O sistema permite que médicos e enfermeiros das Unidades Básicas de Saúde tirem dúvidas sobre diagnósticos com profissionais especialistas de fora da cidade.
O paciente não conversa com o médico consultado; o atendimento permanece restrito ao profissional que faz o acompanhamento presencial na unidade de saúde.
A Prefeitura informou que a utilização da teleconsultoria ocorre prioritariamente para a triagem da fila de espera da especialidade de Dermatologia.
A meta declarada é identificar casos que possam ser tratados na própria Unidade Básica de Saúde, reduzindo o envio de guias de encaminhamento para a rede especializada.
A Secretaria Municipal de Saúde, porém, declarou que não possui levantamento ou estudo concluído sobre o impacto dessa ferramenta na diminuição do tempo de espera por consultas ou exames na cidade.
No Serviço de Atendimento Domiciliar, denominado Programa Melhor em Casa, a Prefeitura registrou 320 teleatendimentos por videochamada nos últimos 12 meses, além de 2.500 contatos assín-cronos por aplicativos de mensagens.
Esse serviço atende pacientes acamados ou com mobilidade reduzida e conta com uma equipe de 14 profissionais capacitados para o uso das ferramentas digitais.
A ausência de teleconsultas diretas para a população da Atenção Primária limita a agilidade no acesso aos médicos especialistas.
O suporte entre profissionais contribui para a orientação de condutas internas, mas não substitui a necessidade de expansão do atendimento médico direto ao usuário do Sistema Único de Saúde.
Cabe ao município avançar na estruturação de projetos que permitam a consulta remota direta, utilizando os recursos do programa federal SUS Digital para reduzir os prazos de espera que afetam os pacientes que dependem da rede municipal.
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