Editorial 26/08/26

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26 Ago 2026 - 09:58
Atualizado: 21 dias atrás
Editorial 26/08/26

As limitações da telemedicina na rede municipal de saúde

O requerimento nº 2701/2026, apresentado na Câmara Municipal pelo vereador Álvaro Cagnani (PSDB), questionou o Poder Executivo sobre a aplicação de consultas médicas a distância na rede pública municipal. 

A resposta oficial da Secretaria Municipal de Saúde indicou que Poços de Caldas não realiza consultas diretas entre pacientes e médicos especialistas por meio da internet na Atenção Primária à Saúde.

O município restringe o uso de tecnologias de comunicação ao modelo de teleconsultoria e ao teleatendimento.

A teleconsultoria opera por meio de uma plataforma mantida pelo Governo do Estado de Minas Gerais em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais.

O sistema permite que médicos e enfermeiros das Unidades Básicas de Saúde tirem dúvidas sobre diagnósticos com profissionais especialistas de fora da cidade.

O paciente não conversa com o médico consultado; o atendimento permanece restrito ao profissional que faz o acompanhamento presencial na unidade de saúde.

A Prefeitura informou que a utilização da teleconsultoria ocorre prioritariamente para a triagem da fila de espera da especialidade de Dermatologia.

A meta declarada é identificar casos que possam ser tratados na própria Unidade Básica de Saúde, reduzindo o envio de guias de encaminhamento para a rede especializada.

A Secretaria Municipal de Saúde, porém, declarou que não possui levantamento ou estudo concluído sobre o impacto dessa ferramenta na diminuição do tempo de espera por consultas ou exames na cidade.

No Serviço de Atendimento Domiciliar, denominado Programa Melhor em Casa, a Prefeitura registrou 320 teleatendimentos por videochamada nos últimos 12 meses, além de 2.500 contatos assín-cronos por aplicativos de mensagens. 

Esse serviço atende pacientes acamados ou com mobilidade reduzida e conta com uma equipe de 14 profissionais capacitados para o uso das ferramentas digitais.

A ausência de teleconsultas diretas para a população da Atenção Primária limita a agilidade no acesso aos médicos especialistas.

O suporte entre profissionais contribui para a orientação de condutas internas, mas não substitui a necessidade de expansão do atendimento médico direto ao usuário do Sistema Único de Saúde.

Cabe ao município avançar na estruturação de projetos que permitam a consulta remota direta, utilizando os recursos do programa federal SUS Digital para reduzir os prazos de espera que afetam os pacientes que dependem da rede municipal.

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