Editorial 20/02/26

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20 Fev, 2026 - 11:03

DMAE precisa explicar qual índice de perda de água é o real

A discrepância entre os dados de perdas de água apresentados pela Prefeitura e os registros de órgãos técnicos federais e estaduais expõe uma falha na transparência da gestão pública.

Durante a abertura do ano legislativo de 2026, no dia 3 de fevereiro, o prefeito Paulo Ney (PSD) afirmou que o índice de perdas no município é inferior a 20%.

No entanto, o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA) indica que 41,1% da água tratada se perde na distribuição.

A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico (ARISB) apresenta um cenário ainda mais grave, com 44,36% de volume não medido. 

Essa divergência de estatísticas impede uma análise real da eficiência do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE).

Se os dados oficiais de órgãos de controle apontam que quase metade da água produzida não chega ao consumidor ou não é faturada, a afirmação de que a cidade possui o menor índice do país carece de sustentação factual.

Segundo o vereador Tiago Mafra (PT), o próprio DMAE admite, em documentos internos, que o volume perdido chega a 28% dependendo do método de cálculo.

Mesmo este número, o mais otimista entre as medições técnicas, é superior ao que foi declarado pelo chefe do Executivo, na Câmara Municipal.

Outro ponto que merece atenção é o requerimento 300/2026, de autoria do mesmo vereador, que busca esclarecer como o governo municipal justifica um reposicionamento tarifário de 4,04% diante de metas de investimento não detalhadas.

A Nota Técnica 348/2025 da ARISB estabeleceu diretrizes para o equilíbrio financeiro da autarquia, mas a aplicação desses recursos em obras estruturais, como a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA V), permanece sem um cronograma de desembolso público e transparente.

Quando o Executivo divulga números que representam menos da metade das perdas registradas pelos órgãos reguladores, ele compromete a confiança no planejamento urbano.

O contribuinte paga tarifas reajustadas sob a justificativa de manutenção e expansão da rede. Se o desperdício físico e comercial continua em patamares elevados, o custo da ineficiência é transferido diretamente para a conta de água do cidadão poços-caldense.

A Prefeitura e o DMAE precisam apresentar a metodologia que sustenta o índice de 20% e explicar o contraste com os 44% da ARISB.

Sem dados unificados e reais, qualquer plano de investimento é apenas uma estimativa sobre um sistema que falha no uso de recursos e na transparência das informações.  

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