Editorial 05/08/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O impasse do Monotrilho e a inércia do poder público
A estrutura do Monotrilho de Poços de Caldas permanece sem utilidade e sem definição após mais de 40 anos de instalação.
O requerimento nº 2789/2026, apresentado pelo vereador Marcus Togni (Republicanos), expõe o descumprimento de prazos e a ausência de decisões concretas por parte da administração municipal para resolver o problema.
Em abril de 2025, o Executivo Municipal informou ao Legislativo que a conclusão dos estudos técnicos sobre a destinação das pilastras e trilhos ocorreria no segundo semestre do mesmo ano.
A Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas eram as responsáveis pela análise.
O prazo expirou sem a apresentação dos relatórios previstos ou a definição do projeto de reaproveitamento ou demolição.
Antes, o município contratou em 2024 a empresa ELC Engenharia para avaliar o estado das vigas.
O laudo técnico do estudo, concluído em 1º de agosto de 2024, indicou que não havia risco iminente de colapso, mas recomendou intervenções de manutenção.
Desde a emissão do parecer, a Prefeitura não realizou reformas estruturais ou serviços de conservação na extensão do sistema, o que mantém a degradação do concreto exposto ao tempo.
A falta de posicionamento oficial também se manteve após o envio da Moção de Apelo nº 32/2026 pela Câmara Municipal, documento que sugeria alternativas de uso e cobrava agilidade.
A ausência de resposta prática às solicitações parlamentares demonstra a falta de planejamento para o espaço urbano onde está localizado o equipamento.
As opções apresentadas pelo município em documentos anteriores variavam entre a contratação de novos projetos executivos para utilização pública e a demolição completa da estrutura.
Contudo, nenhuma das duas vias avançou para a fase de licitação, orçamento ou execução de obras.
A permanência das pilastras abandonadas sem manutenção contínua representa custo social e impacto visual para a infraestrutura viária de Poços de Caldas.
O adiamento das ações de engenharia contraria os prazos declarados pelas próprias secretarias e mantém a entrada do município sob uma estrutura sem função prática.
A situação se torna ainda pior porque a Avenida João Pinheiro passa por uma ampla revitalização, o que faz com que a presença do Monotrilho nestas condições se torne ainda mais sem sentido.
A administração municipal precisa concluir a análise financeira e executar a medida definitiva para o local, seja a remoção do concreto ou a adequação do espaço.
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