Covid-19 avança em regiões com mais desigualdade social em Poços

Estudo do IF Sul de Minas mostra que regiões Sul e Leste são mais vulneráveis


A Covid-19 avança em regiões com mais desigualdade social em Poços de Caldas. É o que mostra a sétima fase das pesquisas sobre o mapeamento da Covid-19 feito pelo IF Sul de Minas.

O trabalho desenvolvido pelo Grupo de Estudos em Planejamento Territorial e Ambiental do IF Sul de Minas (Geplan) foi divulgado na sexta-feira, 17, e relaciona as condições socioeconômicas da população com o avanço da doença em Poços.

Os dados levantados pelos pesquisadores possibilitaram traçar um perfil da distribuição da pandemia no município. Para a produção desses conteúdos, o GEPLAN utilizou dados emitidos pelo último censo do IBGE realizado em 2010 e pela Secretaria de Saúde.

BAIRROS E REGIÕES
O novo estudo abrange um conjunto de 19 mapas com os processos e análises realizados por bairro e região, no que está relacionado a distribuição total da população, densidade da população residente por domicílio, renda, população autodeclarada negra, mulheres responsáveis por domicílio e moradores alfabetizados.

Os dados reunidos no estudo possibilitam apontar um perfil territorial da transmissão da Covid-19 na cidade. Segundo os dados, os casos acompanham a densidade populacional da cidade, uma vez que a proporção de contaminados por região acompanha o contingente de população moradora. Nesse sentido, a análise dos dados mostra que as regiões Sul e Leste da cidade são as mais afetadas pela pandemia.

“Umas das principais explicações para isso é fato de parte considerável dessas populações terem que se deslocar para a região central para trabalhar ou para a busca de serviços não oferecidos em suas regiões. Dessa maneira, a distribuição dos casos acompanha a distribuição da população uma vez que o contágio aconteceria por meio do constante encontro na região central da cidade”, explicou o professor Sérgio Teixeira, coordenador da pesquisa.

DESIGUALDADE

O professor destaca ainda que as regiões mais afetadas (Sul e a Leste) são as que apresentam as menores rendas, as menores taxas de alfabetização, as maiores densidades habitacionais, as maiores concentrações de população negra, e uma grande quantidade de mulheres responsáveis por domicílio.

“Acesso à saúde e a exposição à contaminação, seja pela necessidade de locomoção ou pela densidade habitacional dos domicílios podem tornar a população dessas regiões mais vulneráveis”, complementou.