Operação Duplicata Fantasma desarticula quadrilha de estelionatários

Golpistas faziam compras com dados cadastrais de empresas por meio de duplicatas e cheques

A Polícia Civil de Poços de Caldas realizou a Operação Duplicata Fantasma e desarticulou uma quadrilha que aplicava golpes na cidade e região, realizando compras com dados cadastrais de empresas por meio de duplicatas e cheques (talonários furtados).

O esquema de fraude mercantil é conhecido como “Golpe da Arara”, que consiste, essencialmente, em criar ou adquirir uma empresa, comprar produtos negociando um pagamento a prazo, vendê-los rapidamente e desaparecer antes que as faturas vençam.

PESSOAS JURÍDICAS
Pelo menos duas pessoas jurídicas foram identificadas em razão dos CNPJs utilizados. Uma delas, pertencente a um dos membros da organização criminosa e, a outra, a terceiro de boa-fé. Seis pessoas foram presas preventivamente, em Poços de Caldas e Passos, em operação articulada pelo 18º Departamento e 1ª Delegacia Regional de Poços de Caldas.

O início da investigação teve início a partir de compras de jogos de pneus numa rede de lojas sediada na cidade. Após a venda mediante duplicata, o representante do comércio entrou em contato com o proprietário da empresa, em razão do não pagamento do título.

Para surpresa, o dono da papelaria Katavento não tinha conhecimento da negociação. Os golpistas agendaram serviços na loja de pneus, totalizando a quantia de aproximadamente R$ 2 mil. Na data marcada, após assinarem a duplicata em nome da papelaria, foram surpreendidos pela equipe da Polícia Civil, que efetuou a prisão em flagrante dos autores Rodrigo Piva Veronesi e Marcos Antônio da Silva, por estelionato, no dia 31 de outubro, sendo apreendidos dois veículos.

A partir desse momento, os policiais identificaram os demais membros, em Passos, sendo que os indícios levaram a equipe a desvendar o esquema engendrado pela organização criminosa.

SEQUÊNCIA DO GOLPE
Um dos envolvidos, Sidney de Souza Delfino, vendeu a pessoa jurídica para terceiro realizar os golpes, recebendo parte das mercadorias compradas, sendo a regularização do procedimento efetivada por intermédio de um contador, Pedro Joaquim de Souza, que, inclusive, recebeu parte do pagamento em pneus. Os produtos não se restringiram a pneus.

A própria papelaria Katavento, cujo CNPJ estava sendo indevidamente utilizado pela quadrilha, foi vítima do golpe, vendendo aproximadamente R$ 1.500,00 em folhas de papel sulfite para a pessoa jurídica em nome de um dos autores, Sidney de Souza Delfino.

Além, disso, outros dois envolvidos foram presos em Poços: Josué Faria Nogueira, que confessou a participação na trama, esclarecendo a dinâmica das compras, afirmando que trabalhava para Rodrigo Piva Veronesi.

Os policiais também descobriram a participação do empresário Rodrigo Spartacus Artur. Pessoalmente, ele realizou a compra de quase R$ 50 mil em bolachas em Andradas e também R$ 3 mil em temperos, oriundos de uma empresa de Osasco/ SP, em nome da mesma papelaria.

Os golpes, até o momento identificados, foram aplicados em Poços, Campestre, São Paulo, Passos, Andradas, Monte Santo (R$90 mil em sementes) e Monte Belo, totalizando mais de R$ 200 mil de prejuízo às vítimas.